8 de dezembro de 2022

O que você deve saber sobre o uso da radioterapia no tratamento de tumores de cabeça e pescoço

Robson Ferrigno, médico especialista em radioterapia da BP, esclarece as principais dúvidas sobre esse importante tratamento oncológico que normalmente gera insegurança em pacientes

São Paulo, 13 de julho de 2022 – Julho é o mês dedicado à conscientização do câncer de cabeça e pescoço, que são aquelas neoplasias que aparecem nas porções de boca, garganta e laringe, principalmente. Uma importante forma de tratamento de tumores malignos e benignos é a radioterapia, procedimento utilizado em cerca de 60% dos casos de câncer em pelo menos uma fase do tratamento para assegurar a curabilidade.

De acordo com o médico Robson Ferrigno, especialista em radioterapia e coordenador dos serviços de Radioterapia da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, muitos pacientes ainda têm dúvidas sobre o procedimento. “Com avanços recentes de tecnologia, a radioterapia é atualmente um tratamento seguro e, na maioria das vezes, com pouco ou nenhum efeito colateral”, explica.

O especialista da BP responde diversas questões sobre essa forma de tratamento que pode salvar a vida de tantas pessoas. Confira:

1 – Para que serve a radioterapia?

A radioterapia tem como principal objetivo curar uma enfermidade que esteja presente ou evitar o seu reaparecimento após a quimioterapia ou cirurgia. Ela também pode ser utilizada para controlar sintomas como sangramento, dores ou outros causados pela presença de doenças.

2 – Qual a diferença entre radioterapia e quimioterapia?

A quimioterapia é um tratamento que utiliza um determinado medicamento, aplicado por via venosa ou oral, e que vai agir no corpo inteiro. A radioterapia é um tratamento localizado, mais parecido com um banho de luz, em uma determinada região do corpo. Portanto, os efeitos colaterais da quimioterapia dependem do tipo de droga utilizada e os da radioterapia, da dose e da região tratada.

3 – Quais os efeitos colaterais da radioterapia?

Tanto os efeitos benéficos como os indesejados dependem da dose utilizada e da área do corpo que está sendo tratada. É possível, em muitas ocasiões, que o paciente não tenha qualquer efeito colateral durante o tratamento ou apresente apenas uma reação passageira na pele por onde a radiação atravessou. Como cada efeito colateral depende de cada caso, é muito importante que o paciente seja orientado pelo médico quanto a esses efeitos e como tratá-los ou amenizá-los. A radioterapia, por exemplo, não causa queda de cabelo, a não ser que a região da cabeça seja tratada e, mesmo assim, vai depender da técnica e da dose utilizada. Com os avanços tecnológicos obtidos nos últimos anos, a radioterapia se tornou mais segura e mais efetiva.

4 – A radioterapia é indicada para todos os tumores de cabeça e pescoço?

Não, depende de cada situação clínica, no entanto, a radioterapia é parte integrante do tratamento, na maioria das vezes.

5 – Como é feita a radioterapia na região de cabeça e pescoço?

Uma vez indicada a radioterapia o paciente passa pelas seguintes fases do tratamento com radioterapia:

1-  É realizada uma tomografia na posição de tratamento para realização do planejamento da entrega de radiação. É nas imagens de tomografia que o especialista em radioterapia determina onde a radiação deve ser entregue. Isso é realizado por programas de computador.

2-  A tomografia é realizada após confecção de uma máscara de plástico, com o formato da cabeça do paciente. Essa máscara visa assegurar que o paciente não mexa a cabeça durante as sessões de radioterapia.

3-  Após o término do planejamento, o paciente receberá as aplicações de radioterapia por um aparelho próprio para isso, que variam de 25 a 35 sessões, com intervalo diário, de segunda a sexta-feira, com duração de 10 a 15 minutos cada sessão. Para receber essas aplicações, o paciente deita numa mesa plana e a máscara é colocada para imobilizar a cabeça.

6 – Essas máscaras imobilizadoras causam fobia?

Na maioria das vezes os pacientes toleram bem e sem fobia. Essas máscaras possuem furos que permitem que o paciente enxergue o ambiente. Apesar de apertada, não causa fobia. É muito raro um paciente não tolerar e necessitar de sedação para realizar o tratamento.

7 – É possível curar um câncer de cabeça e pescoço somente com radioterapia?

Sim, particularmente para os tumores em estágios iniciais como alternativa à cirurgia. O melhor exemplo são os casos de tumores iniciais da corda vocal que são curados em mais de 90% das vezes apenas com aplicações de radioterapia, sem a necessidade de cirurgia mutilante. Tumores iniciais do lábio, da pele da face ou do couro cabeludo e da cavidade oral são outros exemplos de tumores da região de cabeça e pescoço que podem ser curados apenas com radioterapia.

8 – A radioterapia pode ser associada a outro tratamento?

Dependendo da situação clínica, a radioterapia é utilizada junto com outros tratamentos, como quimioterapia e cirurgia. Em geral, tumores operados e que estão em estágios intermediários ou avançados recebem radioterapia após a cirurgia para evitar recaída da doença no local operado. Já nos casos de tumores localmente avançados e que não são operáveis, busca-se a cura por meio da associação de radioterapia e quimioterapia concomitantes. A associação de tratamentos é decidida em discussões multidisciplinares, ou seja, por médicos de diferentes especialidades que tratam os cânceres de cabeça e pescoço. As principais especialidades médicas que tratam esse tipo de câncer incluem a cirurgia, a radioterapia e a oncologia clínica.

9 – Quais os efeitos colaterais esperados da radioterapia na região de cabeça e pescoço?

Como em outras partes do corpo, os efeitos colaterais esperados dependem da dose de radioterapia empregada e da região do corpo onde as radiações são entregues. No caso da cabeça e pescoço, o paciente pode ter apenas efeitos leves na pele, no caso de radioterapia localizada na laringe, como pode ter efeitos colaterais durante as sessões de radioterapia, tais como, boca seca, diminuição ou perda do paladar, aftas na mucosa e reação na pele. Vale ressaltar que esses efeitos são temporários e a maioria regride após término do tratamento.

10 – Quais os cuidados que os pacientes com câncer de cabeça e pescoço devem ter durante um tratamento com radioterapia? 

Durante o tratamento o paciente é orientado quanto aos vários cuidados, tais como evitar tomar sol na região que está sendo tratada para não exacerbar a reação de pele, ser acompanhado por um profissional de saúde bucal, conhecido como estomatologista, e ser acompanhado por um nutricionista. O estomatologista faz uma série de procedimentos, como aplicações de laser na mucosa para prevenção e tratamento da mucosite (aftas), orientação de higiene bucal, revisão das condições dentárias e aplicação de flúor nos dentes. Se necessário, realiza extrações de dentes em mau estado de conservação ou obturações de cáries. O nutricionista acompanha o peso e a ingesta calórica do paciente uma vez que há alteração da dieta e, em algumas situações, dificuldade de ingerir alimentos sólidos.

Sobre a BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo

Reconhecida pela revista Newsweek como uma das melhores instituições de saúde do mundo, a BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo é um hub de saúde privado que compõe o grupo de 6 instituições de excelência brasileiras do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). A instituição conta com mais de 7.000 colaboradores e 4.000 médicos atuando em três endereços na cidade de São Paulo, nos bairros de Bela Vista (2 unidades) e Jardim América.

Os serviços da BP são oferecidos por meio de 3 marcas de serviços hospitalares com foco em alta complexidade e que atendem diferentes segmentos de clientes, e 3 marcas que contemplam serviços de medicina diagnóstica, consultas médicas e atendimentos ambulatoriais e educação e pesquisa. São elas: Hospital BP, referência em casos de alta complexidade, pronto-socorro geral e corpo clínico especializado para clientes de planos de saúde e particulares; pelo BP Mirante, hospital que oferece um corpo clínico renomado, pronto atendimento privativo, hotelaria personalizada e cuidado intimista para clientes particulares e de planos de saúde premium; pelo BP Essencial, hospital que tem foco na qualidade assistencial e oferece acomodações compartilhadas para clientes de planos de saúde básicos e particulares; pela BP Medicina Diagnóstica, um completo e atualizado centro de diagnósticos e de terapias, que oferece exames laboratoriais, de imagem, métodos gráficos e de todas as outras especialidades diagnósticas; pelo BP Vital, uma rede de clínicas de diversas especialidades médicas integrada aos demais serviços da BP para cuidar da saúde dos clientes e estimular conversas preventivas sobre a saúde; e pela BP Educação e Pesquisa, tradicional formadora de profissionais de saúde que capacita profissionais por meio de cursos técnicos e de pós-graduação, residência médica, eventos científicos e é responsável por gerenciar mais de 100 estudos e pesquisas na área da saúde com o intuito de contribuir para a evolução da Medicina no País.