7 de agosto de 2022

As empresas estão adiando fazer IPO?

Nenhuma empresa brasileira abriu IPO no 1° semestre de 2022

Após um volume recorde em 2021, o mercado de capital de investimento estagnou no 1° semestre. Muitas empresas e startups brasileiras desistiram de abrir IPOs (sigla em inglês para Ofertas Públicas de Ações) ao longo dos primeiros meses de 2022. 

A queda já era provável, mas a situação atual é mais acentuada do que era esperado. Até o dia 20 de junho deste ano, nenhuma empresa brasileira abriu IPO. Esse é o pior semestre para o mercado de IPOs no Brasil desde 2016, quando o país estava em recessão e passava por um processo de impeachment. 

Nesse mesmo período no ano passado, as IPOs de empresas nacionais já haviam movimentado US$ 6,9 bilhões, segundo dados do Bloomberg. Em 2021, houve recorde no mercado de IPOs brasileiro, com 46 IPOs e um volume de US$ 63,6 bilhões movimentados. 

Por que empresas brasileiras estão desistindo de fazer IPOs em 2022? 

No Brasil e no mundo, há várias razões pelas quais as empresas estão ficando privadas por mais tempo. Uma delas é que há altos custos envolvidos para listar uma empresa na Bolsa”, explica a equipe de especialistas da G2D Investments, investidora de Venture Capital. 

A escalada de juros em um momento de inflação alta gera uma enorme cautela na atividade e no desenvolvimento econômico do país. Em ano de eleição, a incerteza do mercado financeiro brasileiro também dificulta a abertura de IPOs, tanto que a maior movimentação de IPOs em 2021 aconteceu nos primeiros três trimestres. 

Empresas como Monte Rodovias, Ammo Varejo, Dori Alimentos e Environmental ESG foram as primeiras a interromper o processo de IPO em janeiro, citando que o mercado se fechou para novas ofertas. 

A Vero Internet foi outra que anunciou a desistência de sua IPO, ressaltando as condições atuais do mercado de capitais brasileiro. No momento, as empresas estão optando por outras alternativas para captar recursos como debêntures, CRIs e CRAs. 

“Outro ponto relevante é que estas empresas podem acessar capital abundante de diversas fontes, por isso não precisam mais necessariamente fazerem um IPO para levantarem capital substancial e financiarem seu crescimento”, cita a equipe da G2D Investments.

Como a desaceleração de IPOs afeta o mercado de investimentos brasileiro?

Há uma mudança massiva no cenário dos investimentos. Vemos empresas promissoras manterem seu capital fechado por muito mais tempo. Atualmente, a idade média das empresas para o lançamento de uma IPO é de 12 anos. 

Das mais de 200 empresas unicórnios no mercado norte-americano, cerca de um sexto possui mais de 13 anos no mercado. Isso preocupa investidores já que muitas empresas estão em sua maior fase de desenvolvimento, longe do alcance dos investidores. 

“Por isso, a solução que a G2D oferece é uma opção democrática para todos os bolsos. Tanto tubarões do mercado quanto investidores focados em suas finanças pessoais podem investir com a G2D e ter acesso a empresas de alto crescimento, que antes só estavam disponíveis para grupos específicos”, aponta a equipe da G2D Investments.

Empresas de saneamento podem aquecer o mercado de IPOs no 2° semestre

Impulsionadas pelo novo marco regulatório que estimula investimentos privados no segmento, a BRK Ambiental e a estatal gaúcha Corsan procuraram a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para sinalizar a intenção de abrirem uma IPO nos próximos meses. 

O setor de saneamento é um dos que mais atrai o interesse de investidores. O segmento é visto como um mercado previsível e com alta capacidade de geração de receita. Empresas do setor costumam firmar contratos de longo prazo com governos, o que garante um faturamento constante. 

Mesmo com a movimentação de BRK Ambiental e Corsan, o mercado de IPOs brasileiro deve seguir em baixa até o fim de 2022, mas podendo se reaquecer a partir do próximo ano, com a definição eleitoral e a estabilização da inflação e da taxa Selic.