7 de julho de 2022

Dr. João Egídio Romão Júnior, professor da FMUSP, reforça importância dos biomarcadores nas doenças renais crônicas

Doença, que impacta um em cada cinco diabéticos apresenta sintomas quando em estágio avançado; atualmente, 144 mil brasileiros estão em programas de diálise

Em um cenário em que a busca por diagnósticos precoces e assertivos é a chave para tratamentos mais eficazes, conhecer e entender como os processos de análises clínicas evoluíram é cada vez mais necessário para a classe médica. No caso da Doença Renal Crônica (DRC), os biomarcadores são fundamentais para resultados mais precisos e auxiliam os nefrologistas e pacientes no acompanhamento da patologia, que tem como uma das características a apresentação de sintomas quando já está em estágio avançado.

“Hoje, no Brasil, cerca de 12 milhões de pessoas têm a doença. Acredita-se que 97% não têm noção, principalmente porque ela é secundária ao diabetes e a hipertensão arterial, focos das preocupações de pacientes e médicos por serem doenças principais. Vale lembrar que a DRC também é assintomática, é insidiosa. O grande problema é que quando ela começa a apresentar sintomas, o paciente já está numa fase muito avançada da patologia e não há muito recurso para reverter a evolução”, explica o médico Dr. João Egídio Romão Jr., Chefe da Equipe de Nefrologia e Transplante do Hospital Beneficência Portuguesa e Professor livre-docente da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

Procedimentos atuais

Diante disso, ganha destaque a necessidade de procedimentos de identificação precoces. Tido como o melhor e mais utilizado marcador, a creatinina é uma ferramenta muito eficiente entre os marcadores de anormalidade da função renal, mas que não possibilita a identificação antecipada da DRC, segundo o dr. João Egídio. “O problema é que não nos dá a oportunidade de um diagnóstico precoce e, volto a insistir, quando a gente tem o diagnóstico precoce, é possível estabilizar e, às vezes, até reverter um pouco essa função renal”.  

Outras alternativas para o reconhecimento da DRC têm ganhado espaço na última década. O especialista destaca a Cistatina, principalmente porque é sintetizada a partir das células nucleadas. “A Cistatina C é uma opção interessante que temos nos dias de hoje, melhor que a creatinina, mas não difere quando utilizamos a fórmula MDRD (uma das equações que calcula a Taxa de Filtração Gromelular – TFG) para avaliar a função renal do paciente”, aponta o médico.

No caso dos marcadores de lesão renal, o mais importante é Proteinúria, mas, assim como a creatinina, não possibilita identificação antecipada da DCR e apresenta restrições no acesso aos tratamentos. Como alternativa tem ganhado espaço a Albuminúria/RAC, marcador que possibilita o diagnóstico precoce da patologia, entre outras vantagens.

“Ela pode ser feita em amostras isoladas de urina e tem relação, não apenas com a progressão da DCR, como também com a mortalidade cardiovascular. A albuminúria já está presente em 20% dos pacientes diabéticos. Às vezes, o paciente é diabético há cinco anos e não sabe e o marcador já aponta a lesão renal quando feito o diagnóstico. O mais importante, é um marcador muito precoce”, detalha o médico.

Entre as vantagens dos novos marcadores apresentadas pelo nefrologista estão a possibilidade de detectar o risco de DCR nos pacientes, melhorar o acompanhamento da progressão da doença, os conhecimentos da fisiopatologia e a identificação de processos mais eficazes de terapia.

Problemas

Não é somente o alto percentual de pessoas que desconhecem ter a doença. De acordo com dados apresentados por ele, um em cada cinco diabéticos possuem DRC, o que equivale a 20% dos casos. A patologia atinge um em cada sete hipertensos e 10% dos adultos. Atualmente, cerca de 144 mil brasileiros estão em programas de diálise.

Tecnologia

Para o Gerente Técnico/Científico no Tommasi Laboratório, José Robson Venturim, as vantagens de contar com metodologias automatizadas têm contribuído para os diagnósticos através do exames de urina, como reações padronizadas e melhor conservação de insumos, maiores controles de leitura em relação ao tempo de observação, rapidez no processo de análise e ganho de produtividade, além da rastreabilidade de dados e resultados, volume padronizado de urina por tira de reação (evitando a contaminação), interface bidirecional com identificação e a leitura por código de barras, o que traz maior segurança ao processo, evitando problemas de registros, trocas de amostras, entre outras.

Como exemplo, ele destaca a incorporação de tecnologias como Citometria de Fluxo e a Microfotografia digital, que no caso das avaliações químicas e físico-químicas nos exames de urina, que envolvem as tiras (cores), as leituras dos campos de reação passam a ser feitas por sistemas ópticos, incluindo sensores semelhantes aos de câmera fotográfica, como o CMOS, com Leds e detectores fazendo a leitura e o sistema interpretando os dados. “A inclusão de novos parâmetros tem possibilitado a incorporação a Albuminúria (reação mais específica da Albumina) e a Creatininúria na mesma tira de reação, permitindo que se faça uma relação entre Albumina e Creatinina o que é o parâmetro mais adequado para medir a eliminação de proteína pelos rins”, apresenta o Gerente.

Segundo ele, o sedimento urinário ao invés de ser feito por uma observação visual, interpretação e contagem é realizado por uma leitura de sistemas ópticos, pela citometria de fluxo fluorescente, que por meio de um sistema de luzes dispersas consegue mensurar as partículas, fornecer informações sobre o núcleo e os grânulos das células, indicar a quantidade de DNA e RNA, além de apresentar sinal que melhora a discriminação entre hemácias e cristais.

“Hoje, a citometria de fluxo e a a microfotografia digital com câmeras de alta resolução e capacidade de identificação permitem que um laboratório consiga substituir praticamente 99% a necessidade da análise do sedimento urinário por microscopia convencional, através de sistemas automatizados com ganho de produtividade, da capacidade de análise, resolutividade e padronização”, completa Venturim.

O Nefrologista e professor universitário Dr. João Egídio e o Gerente Técnico/Científico no Tommasi Laboratório, José Robson Venturim, apresentaram esses temas no Painel “Abordagem clínico-laboratorial das Doenças Renais Crônicas com as palestras “A importância dos biomarcadores nas doenças renais” e “Exame de urina vai além da urina: uma visão do laboratório”, respectivamente, no II Sysmex Week, evento on-line, que acontece nesta semana e traz novidades das áreas clínico-laboratoriais em Hematologia, Urinálise e Citometria de Fluxo com uma série de conteúdos voltados profissionais do setor de medicina diagnóstica e especialistas em diferentes áreas médicas.

Outro destaque do dia foi o painel “O exame de urina como ponto de partida para a interface entre médico e laboratório”, que destacou a importância do inter-relacionamento entre médico, laboratório e paciente na investigação e tratamento e como a tecnologia possibilita a melhoria na obtenção de informações com os temas A importância do ecossistema da urinálise desde o pré-analítico até o diagnóstico, realizada pelo Consultor para Urinálise da Controllab e Professor da Escola de Saúde da Unisinos, Dr. José Antonio Tesser Poloni, e Diagnóstico diferencial do exame de urina melhora a relação do laboratório com o médico, com a Nefrologista da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Dra. Elizete Keitel,

O consultor abordou a evolução tecnológica no estudo de elementos urinários, benefícios da citometria de fluxo fluorescente e urinálise em pacientes com Covid-19. Já a nefrologista focou em temas como o trabalho entre médico e laboratório no diagnóstico de infecções do trato urinário e das doenças renais, a importância dos exames de urina no acompanhamento de pacientes transplantados, entre outros.

Inscrições gratuitas no site www.sysmexweek.com

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